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Doc.

Doc. "Tio Bernard – Uma Antilição de Economia" em cartaz no CineSegall

Tio Bernard – Uma Antilição de Economia (Oncle Bernard – Anti-leçon d’économie, Richard Brouillette, 2015) é um filme em torno do pensamento do economista francês Bernard Maris, também conhecido como Tio Bernard, morto em janeiro de 2015 nos atentados ao jornal hebdomadário Charlie Hebdo, em Paris. Além de editor do semanário, Bernard era economista, professor universitário e autor de diversos livros na área de economia.

Mas, para além das qualificações que podem ser elencadas a partir de seu extenso currículo, o que este documentário do diretor canadense Richard Brouillette deixa transparecer é o quanto Maris era, acima de tudo, um humanista. Pensador não ortodoxo ele pregava, de maneira muito racional, a desconstrução do discurso econômico hegemônico (ou do ‘terrorismo da palavra’, segundo seus próprios termos), denunciando sua incongruência, e se posicionando ferrenhamente em favor de valores coletivos e de bem-estar social: “Se tem duas noções que o capitalismo desconhece”, afirma Maris, “é a noção de bem e mal: o que importa aí é ganhar dinheiro”. A partir daí o que ele faz é esmiuçar, tentar destruir a “aura intocável” do discurso econômico que serve a propósitos opacos e que é difundido todos os dias nos jornais e na televisão em som uníssono.

Um documentário realizado em dois momentos

Inicialmente, a entrevista que Tio Bernard concedeu a Brouillette e à sua equipe no dia 8 de março de 2000 seria mais uma das muitas captadas pelo realizador naquele momento destinadas a compor seu documentário L’Encerclement – La démocratie dans les rets du néolibéralisme [O Cerco – A democracia nas redes do neoliberalismo], de 2008.

Não é preciso, contudo, que assistamos à Antilição de Economia por muito mais do que alguns minutos para percebermos, finalmente, porque Brouillette resolveu dar nova vida a esse precioso material que, apenas em partes, foi utilizado em L’Encerclement. O carisma e a lucidez de Maris são plenamente envolventes e capturam a atenção do espectador de maneira irrefutável.

Entre 2000 (momento da entrevista) e 2015 (quando o documentário é finalizado), o mundo passou por diversas transformações. Mesmo em termos cinematográficos, as transformações foram profundas: Antilição de Economia foi filmado em película 16mm, algo impensável nos dias de hoje.

Para além da excepcional entrevista que Brouillette realiza com Maris, um dos dados mais impressionantes sobre este documentário é justamente a forma como o tempo se torna um de seus protagonistas. Há várias abordagens temporais em Antilição de Economia.

Em primeiro lugar há o tempo da película que tem que ser respeitado: aí, é o cinema que impõe sua própria temporalidade. Na primeira troca de chassi necessária à continuação da entrevista, Bernard Maris se dá conta do que está sob seus olhos e se surpreende genuinamente: “Mas o que é essa câmera?! Mas isso é cinema de verdade! É cinema mesmo! Isso aí não é televisão!”.

Mas, para além da questão da temporalidade cinematográfica, há o peso do tempo histórico. Bernard Maris deu essa surpreendente entrevista em 2000, porém, de tão frescas que são suas palavras, temos a impressão que elas foram proferidas ontem. O mundo ganhou outra cara desde 2000, mas quanto estruturalmente ele mudou, afinal? Em que medida estamos presos a um círculo vicioso que apenas se repete continuamente? Essas são algumas das perguntas passíveis de serem feitas diante desse documentário que, no entanto, não cessa de nos colocar questões.

TIO BERNARD – UMA ANTILIÇÃO DE ECONOMIA
(Oncle Bernard – L’anti-leçon d’économie, documentário, 2015, 16 mm / HD, P&B, 79 min, Canadá/Espanha)
Direção: Richard Brouillette
Produção, realização, montagem: Richard Brouillette
Produtores associados: Denys Desjardins (Les Films du Centaure), Esteban Bernatas (Andoliado Producciones)
Fotografia: Michel Lamothe
Som: Simon Goulet
Trilha sonora: Éric Morin

Sinopse longa:
Bernard Maris, ou melhor “Tio Bernard”, foi morto no atentado terrorista que atingiu a redação do jornal Charlie Hebdo, em Paris, no dia 7 de janeiro de 2015.
A fascinante entrevista com Maris, na qual se baseia este documentário – e que foi colhida no contexto de realização do filme L’Encerclement – La démocratie dans les rets du néolibéralisme [O Cerco – A democracia nas redes do neoliberalismo] (2008), do mesmo realizador -, constitui uma verdadeira antilição de economia, em que o economista pouco ortodoxo desmistifica a abordagem econômica da grande mídia. Sem maquiagem nem artifícios, o realizador deixa o verbo correr e é o discurso dissidente, afiado e atravessado de Maris que se sobrepõe. De forma bastante livre, ele descontrói de maneira contundente os dogmas alardeados por uma certa “ciência econômica”. Erudito e eloquente, porém dono de uma capacidade de traduzir para um discurso fácil e cativante os assuntos mais áridos, Tio Bernard desdobra ao longo deste documentário um pensamento corajoso em sua originalidade que se revela ainda mais valioso nestes tempos de austeridade econômica.

Sinopse curta:
Filme realizado a partir de uma fascinante entrevista com Bernard Maris, economista francês de ideias pouco ortodoxas, morto no atentado ao jornal hebdomadário Charlie Hebdo, em janeiro de 2015. Nesta verdadeira antilição de economia, Maris desmistifica a abordagem econômica do capital e da grande mídia a partir de um discurso dissidente, afiado e atravessado.

Sobre Bernard Maris
Bernard Maris nasceu em 1946, em Toulouse, sudoeste da França. Logo após a obtenção do título de Doutor em Economia pela Universidade de Toulouse 1, em 1975, se torna professor universitário. Ensinou principalmente no Instituto de Estudos Europeus e na Universidade Paris 8.
Suas frequentes aparições na radio France Inter lhe proporcionaram certa notoriedade em seu país. Em suas colunas no Charlie Hebdo, ele não media palavras para criticar a sociedade de consumo e a própria economia. Seu espírito carismático, porém sempre cáustico, conquistou um público fiel, tanto que algumas de suas obras se tornaram verdadeiros “best-sellers” na França: Keynes ou l’économiste citoyen, La Bourse ou la vie (escrito com Philippe Labarde) e ainda seus Antimanuais de Economia em dois tomos.
Bernard Maris foi morto no ataque ocorrido à sede do jornal hebdomadário Charlie Hebdo em Paris, em 7 de janeiro de 2015.

Sobre Richard Brouillette
Richard Brouillette é canadense, produtor de cinema, diretor, editor e programador. Ele produziu e dirigiu Too Much Is Enough; Carpe Diem; Encirclement – Neo-Liberalism Ensnares Democracy; Prends garde à la douceur des choses e Oncle Bernard – A Counter-Lesson in Economics. Ele também produziu sete longas-metragens.

Distribuição:

Vai e Vem Produções

Liciane Mamede / Cecília Lara

E-mails de contato: liciane.mamede@gmail.com / cecilialara1@gmail.com

Telefone: (11) 98952-0241

https://vaievemproducoes.com/

Serviço Cine Segall:

Programação de Cinema – Cine Segall -

Programação de 19 a 25 de Janeiro de 2017

FILMES EM CARTAZ

TIO BERNARD – UMA ANTILIÇÃO DE ECONOMIA

DIREÇÃO: RICHARD BROUILLETTE

Documentário – CAN – 2017 – 79 MIN – DIG – 12 ANOS

17h

Sinopse: Bernard Maris, ou melhor “Tio Bernard”, foi morto no atentado terrorista que atingiu a redação do jornal Charlie Hebdo, em Paris, no dia 7 de janeiro de 2015. Baseado em uma entrevista gravada em março de 2000, o documentário remonta as ideias do economista, também conhecido como “Oncle Bernard”. Grande vencedor do prêmio de Melhor Documentário no festival de Rotterdam 2015.

Todos os dias, menos terça-feira, às 17h

ingressos a R$ 16,00 (R$ 8,00 meia entrada)

Endereço: Rua Berta, 111 – Vila Mariana, São Paulo – SP, 04120-040, Brasil

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